O Programa de Incentivo à Docência na Graduação (Prodocência) tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de projetos capazes de articular o ensino da graduação à prática profissional dos alunos. A iniciativa concede bolsas a um docente efetivo para atuar como coordenador e a até cinco discentes de graduação para o desenvolvimento de projeto durante 24 meses, ampliando os conhecimentos aprendidos em sala de aula.

Uma das propostas aprovadas no primeiro edital, lançado em 2021, é o Natação + Segura, desenvolvido por Marcelo Barros de Vasconcellos, professor de Educação Física, com estudantes de 8 a 13 anos do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-Uerj). Focado no ensino do nado seguro, o projeto reúne orientação de atitudes, competências e procedimentos para prevenir acidentes aquáticos.

“A natação ainda é subutilizada quando o aspecto é a prevenção de afogamentos em crianças. Elas recebem educação insuficiente sobre segurança aquática em aulas de natação e não estão alcançando habilidades essenciais que ajudem na prevenção”, explica o professor.

Participam da atividade 281 alunos do ensino fundamental. A metodologia inclui palestras, oficinas, gincanas e aplicação de questionários. A cada ciclo de três meses, uma turma é sorteada para aulas práticas semanais. O processo considera o quanto cada um está familiarizado com a água.

A proposta principal é ajudar no desenvolvimento do controle emocional da criança, para que ela possa racionalizar opções diante de situações de perigo, e oferecer conhecimento para leitura de avisos e outros alertas visuais. “Destaco a leitura de placas feita pelos estudantes do 8º ano em 2023, com índice de 100% de acerto sobre os significados. A utilização diagnóstica e o monitoramento por meio do teste de conhecimento preventivo na escola são importantes e necessários para reforçar alguns valores e conceitos de segurança”, explica Vasconcellos.

A motivação do professor partiu do desejo de contribuir para a redução dos índices de mortes por uma causa evitável. Em 2022, mais de 5.700 pessoas morreram em decorrência de afogamento. E as maiores vítimas são crianças e jovens. Os dados são da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) que, no levantamento, também observou que mais da metade dos casos, no recorte de 1 a 9 anos de idade, acontece em piscinas.

Iniciado no ano passado, o projeto já recebeu retorno positivo. Um estudo feito com pais de alunos revelou que os filhos manifestam um bom nível de conhecimento preventivo aos acidentes aquáticos. Os estudantes também têm aprovado o conteúdo. “Percebe-se o quanto eles são gratos pelos ensinamentos e por poderem fazer aula de natação gratuita. Muitos não tinham vivido essa oportunidade”, comenta o coordenador.

A melhora na autoconfiança das crianças é outro ponto de destaque. “Os responsáveis mencionam, por exemplo, que o filho tinha medo de entrar na água, e hoje quer ir até o fundo; que ele está mais seguro para entrar na piscina e controla melhor a respiração, ganhou resistência, e até compartilha com outras crianças as técnicas que aprendeu no projeto”, conclui.