A equipe do projeto. Da esquerda para a direita: Priscila, Eliane, Marcela e Ana Carolina

Coletar e analisar os dados de evasão dos cursos de licenciaturas da Uerj entre 2020 e 2026, a fim de propor ações administrativas e pedagógicas que possam ser implementadas na instituição para minimizar o problema da desistência estudantil. Este é o principal objetivo do Projeto Coleta e Análise dos Dados de Evasão nas Licenciaturas da Uerj (ProCadel), que recebeu a melhor avaliação do processo seletivo do Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Técnico-Científico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Prointec) em setembro. Vinculado à Pró-reitoria de Graduação (PR1), o ProCadel é coordenado pela pedagoga Priscila de Araujo Garcez, do Departamento de Orientação e Supervisão Pedagógica (DEP). Também participam da equipe as pedagogas Ana Carolina de Farias Miranda, Eliane de Almeida Affonso e Marcela Costa Soares.

Priscila afirma que o ProCadel é um desdobramento do Projeto Busca Ativa na Graduação da Uerj (PBA), desenvolvido entre os anos de 2022 e 2025 pela mesma equipe. “Continuaremos o trabalho de coleta de dados de evasão, mas desta vez das licenciaturas em todos os cursos. A ideia agora é desenvolver uma pesquisa, não mais uma prestação de serviço. Entender o porquê desses alunos evadirem e como a Uerj pode, do ponto de vista administrativo e pedagógico, pensar em ações para tentar minimizar o problema da evasão estudantil nas licenciaturas”, conta a coordenadora do projeto.

Atualmente, a proposta se volta especificamente às licenciaturas, considerando os debates atuais em torno do “apagão docente”, que projetam, até 2040, um déficit de 235 mil professores na Educação Básica em disciplinas como Física, Química, Biologia, Matemática, Artes e Sociologia nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, em todo o país. “Os cursos de licenciaturas estão passando por reforma curricular. Entendemos que o projeto pode ajudar as unidades acadêmicas a repensarem os currículos mais adequados à realidade dos nossos estudantes”, acrescenta Priscila.

Análise em três etapas finaliza em 2027

O levantamento dos dados de evasão nas licenciaturas será realizado em três momentos a partir de outubro de 2025. Na primeira etapa, a análise quantitativa irá mensurar, por meio dos dados fornecidos pelos sistemas acadêmicos da Uerj e DataUerj, o quantitativo de ingressantes e evadidos dos cursos de licenciaturas entre 2020 e 2026. Os dados apurados serão organizados por meio de gráficos, tabelas e quadros.

“Nesta primeira fase levantaremos os números de evasão, organizando-os por cursos e centros. Depois vamos listá-los por gênero e raça. Faremos um mapeamento desses estudantes e tentaremos entender, do ponto de vista da gestão, quais as disciplinas que mais reprovam, se esses alunos já tiveram trancamento, entre outras informações”, menciona a coordenadora.

Na segunda etapa, de natureza qualitativa, haverá a interpretação de fatos e acontecimentos de ordem orgânica, conjuntural, institucional e curricular que possam ter corroborado para a evasão. A equipe identificará, com base nas justificativas dos discentes nos pedidos de rematrícula analisados entre 2020 e 2026, as possíveis causas do abandono. A terceira etapa consistirá na análise comparativa dos dados obtidos na pesquisa, cotejando os dados da evasão, entre 2020 e 2026, com as demais instituições de ensino superior (IES) públicas do país.

O ano de 2026 encerra o recorte do estudo, fornecendo informações de três anos sobre o contexto pós-pandêmico na Universidade desde a decretação do fim da pandemia em 2023, além de estar próximo do cronograma de encerramento do ProCadel, previsto para o primeiro semestre de 2027.

“As expectativas do projeto são as melhores possíveis. Digo que é um ‘projeto guarda-chuva’, que proporciona outros projetos como artigos e estudo de caso para outras universidades. Já há uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sobre dados de evasão. Queremos, na última etapa, situar a Uerj perante o cenário nacional”, conclui a coordenadora do ProCadel.