Nesta edição, conversamos com Suzana Bottega Peripolli, professora do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia (FEN) da Uerj, que recebeu, em setembro, o Prêmio Capes Futuras Cientistas 2025. Também coordenadora do Departamento de Inovação da Uerj (InovUerj), ela conta sobre a relevância da premiação para a Universidade e como estão os preparativos da edição 2026 do Programa Futuras Cientistas.

Em que consiste o Prêmio Capes Futuras Cientistas?

Ele foi criado mediante a assinatura de acordo de parceria entre a Capes e o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), em 2024, com o objetivo de identificar, dar visibilidade e valorizar alunas e professoras de escolas públicas estaduais, em espaços de desenvolvimento científico, para o aumento da participação feminina das Ciências Exatas, destacando-se nas áreas STEM (sigla em inglês): Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática.

Você foi a única professora da Uerj (ou do Rio de Janeiro) vencedora?

Sim, fui a única professora da Uerj e do Rio de Janeiro. As outras duas tutoras premiadas na Região Sudeste são de São Paulo e Minas Gerais. Recebi o prêmio na categoria de tutora, dentre o total de 15 tutoras de cada região do país (Norte/ Nordeste/ Centro-Oeste/ Sudeste e Sul), ex-participantes do edital Cetene 03/2023 – Projetos de Trabalho do Programa Futuras Cientistas (Chamada para Imersão Científica 2024), que tenha tido projeto aprovado e executado dentro das normas do edital do programa. A premiação consistirá em apoio financeiro, a ser pago pela Capes/MEC.

Qual o título do projeto vencedor?

 “As futuras cientistas e os materiais macro, micro e nano na Engenharia Mecânica da Uerj”. Coordenado por mim, o projeto contou com o apoio do Departamento de Engenharia Mecânica (FEN), do Instituto de Química (IQ) e de estudantes envolvidas no projeto de extensão “Elas fazem ciência, sim”.  Somos poucas mulheres atuando nas Engenharias, sendo que na Mecânica, o número é ainda menor.

De que forma a Imersão Científica 2024 contribuiu para a representatividade feminina nessa área?

A imersão aconteceu em janeiro do ano passado, o que evidenciou diversas possibilidades de atuação das mulheres na Ciência, ampliando seus horizontes profissionais e promovendo a equidade de gênero com atividades práticas nas seguintes unidades laboratoriais da Engenharia Mecânica da Universidade: Laboratório Multiusuário de Nanofabricação e Caracterização de Nanomateriais (Nanofab), Laboratório de Engenharia Mecânica (LEM), Laboratório de Caracterização de Materiais (Lacam), Grupo de Estudos e Simulações Ambientais em Reservatórios (Gesar).

Qual a importância do Prêmio Capes Futuras Cientistas?

Além de divulgar as pesquisas e laboratórios da Uerj, o projeto visa incentivar a inserção feminina nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Muitas meninas questionam se vão precisar trabalhar embaixo de um carro para fazer manutenções preventivas e corretivas, mas sabemos que vai muito além disso. Essa área abrange desde a fabricação de peças para a indústria automobilística até o estudo e modificação de estruturas de diferentes tipos de macro, micro e nanomateriais, tornando-os com maior resistência mecânica e maior vida útil, por exemplo.

Qual a contribuição desse prêmio para sua pesquisa e trajetória profissional?

O prêmio abre novos horizontes de atuação para as meninas do ensino médio de escolas públicas, onde na maioria das vezes, é a primeira vez que entram em um laboratório da Universidade, que visualizam as oportunidades de aprendizado e de atuação profissional. Promover a equidade de gênero, observar o brilho nos olhos das alunas sonhando com um futuro promissor, sendo uma professora que pode inspirá-las. Ver as estudantes portando jalecos, luvas, óculos de proteção, pela primeira vez, é motivo de muita emoção para mim.

Como estão os preparativos para a edição do Programa Futuras Cientistas do próximo ano? Alguma novidade que já possa adiantar?

Além das atividades já realizadas anteriormente, para a Imersão Científica do ano de 2026, vamos aplicar a Microscopia Óptica para diferenciar os diodos LED, OLED e LCD das telas dos celulares das alunas para verificar como eles estão dispostos e as cores (RGB). Observaremos ainda as estruturas dos fios de cabelo no microscópio eletrônico de varredura, o que também é interessante.

Como você avalia os apoios do InovUerj e do Instituto de Química (IQ), ambos da instituição, no projeto?

O InovUerj e o IQ são muito importantes, pois oferecem às estudantes a oportunidade de conhecerem a estrutura da Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR2), os projetos de inovação e o escritório de propriedade intelectual, estrutura muito significativa, disponível na Universidade e para os avanços tecnológicos. O Instituto de Química da Uerj, com o projeto “Elas fazem ciência, sim”, realiza uma oficina de batons em que as estudantes fabricam o próprio cosmético no laboratório. Elas seguem uma metodologia científica, misturam os ingredientes e escolhem a cor de cada batom. É uma experiência muito interativa, que busca despertar o olhar das meninas para a beleza da Química e da vivência laboratorial.